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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Um pouco de poesia

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

Manoel de Barros


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A busca


Prefiro me perder tentando me encontrar
do que fingir que encontrei e nunca procurar.

- Patricia Carvalho Oliveira

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O charme felino



  • Gatos são poemas ambulantes".
- "Falando de pássaros e gatos‎", Roseana Kligerman Murray, Helena Alexandrino - Paulinas

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

No lar, com saudades da mami


O Gato é Ingrato?

Dizem que gato
é muito ingrato
e indiferente:
só gosta da casa
não gosta de gente.

Mas é puro boato.
Quem isso inventou
Não gosta de gato.
Pois o nosso Gatinho
tem verdadeiro horror
de ficar sozinho.
Prefere estar junto
do dono ou de alguém que
lhe queira bem.

E se o dono viaja,
fica miando
por ele buscando
por toda a casa.
E quando ele chega fica tão
contente que sai em carreira
pela casa inteira.

É assim que ele diz,
lá à sua maneira,
o quanto está feliz.

( Ferreira Gullar )

Concordo plenamente com o poeta - e como haveria de discordar? Estou contando os segundos para mami chegar... Não sei se estou ficando velho ou mais carente, mas se antes eu gostava de ter a casa só para mim, hoje eu não quero a mami distante. É, não são apenas os humanos que mudam. Nós, felinos, também.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Dica felina n. 13 - Deixe-se levar mar adentro


"Mar adentro, mar adentro,
y en la ingravidez del fondo
donde se cumplen los sueños,
se juntan dos voluntades
para cumplir un deseo.

Un beso enciende la vida
con un relámpago y un trueno,
y en una metamorfosis
mi cuerpo no es ya mi cuerpo;
es como penetrar al centro del universo:

El abrazo más pueril,
y el más puro de los besos,
hasta vernos reducidos
en un único deseo:

Tu mirada y mi mirada
como un eco repitiendo, sin palabras:
más adentro, más adentro,
hasta el más allá del todo
por la sangre y por los huesos.

Pero me despierto siempre
y siempre quiero estar muerto
para seguir con mi boca
enredada en tus cabellos."

Poema de Ramón Sampedro recitado por Javier Barden no filme Mar Adentro



Se os humanos fossem mais como nós, felinos, e mergulhassem mais dentro de si, chegassem mais perto dos seus desejos e bastassem-se na solidão do mar aberto, sentiriam menos angústia, frustração e medo de ser feliz. Basta tornar-se leve, para flutuar sobre a imensidão azul sem limites, libertando-se das culpas que funcionam como âncoras. Mas não é qualquer um que consegue ter nossa segurança, autoestima e serenidade e ainda assim ser generoso, compreensivo e companheiro. Deve ser por isso que na história egípcia a deusa Bastet - do amor - era representada por uma gata (e diga-se de passagem, negra, como eu!).


Estátua de Bastet no Louvre

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Um selinho e um pouco de poesia


Ganhei o selinho acima do Tudo Gato e do Bigodes e Ronrons! Obrigado!

***



Os gatos na tinturaria

Os gatos brancos, descoloridos,
passeiam pela tinturaria,
miram polícromos vestidos.
Com soberana melancolia,
brota nos seus olhos erguidoso arco-íris,
resumo do dia,
ressuscitando dos seus olvidos,
onde apagado cada um jazia,
abstratos lumes sucumbidos.
No vasto chão da tinturaria,
xadrez sem fim, por onde os ruídos
atropelam a geometria,
os grandes gatos abrem compridos
bocejos, na dispersão vazia
da voz feita para gemidos.
E assim proclamam a monarquia
da renúncia, e, tranqüilos vencidos,
dormem seu tempo de agonia.
Olham ainda para os vestidos,
mas baixam a pálpebra fria.
Cecília Meireles