terça-feira, 26 de maio de 2009

Lygia Fagundes Telles e os gatos


Alguém que costuma recordar a frase "Horas non numero nisi serenas" (Conto somente as horas felizes) só poderia gostar de gatos. Nada contra meus amigos cães, mas, como a escritora bem disse: o gato não é "nem pior nem melhor do que o cachorro, mas diferente. Fingido? Não, ele nem se dá ao trabalho de fingir. Preguiçoso, isso sim. Caviloso. Essa palavra saiu da moda mas deveria ser reconduzida, não existe melhor definição para a alma do felino. E de certas pessoas que falam pouco e olham. Olham. Cavilosidade sugere esconderijo, cave – aquele recôncavo onde o vinho envelhece.Na cave o gato se esconde, ele sabe do perigo. Mas o cachorro se expõe, inocente."

Segundo esta incrível mulher de 86 anos, escritores são como gatos. Afinal, não há outra maneira de avançar por entre os escombros da realidade a não ser pisando levemente. E, ainda com suas palavras, os livros são como nós, felinos: "você o joga para o alto e do jeito que ele cair, caiu". Quer saber mais sobre ela? Confira a entrevista e matéria no caderno Prosa e Verso, do O Globo, deste sábado.

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