segunda-feira, 5 de julho de 2010

Os escritores e os gatos


T.S. Eliot (1888-1965), ao longo dos anos 30, escreveu uma série de poemas sobre gatos e deu de presente a afilhados e amigos. Ele enviava os textos por cartas, assinadas como O Velho Gambá, apelido criado por Ezra Pound (1875-1982).

Os poemas infantis narravam as peripécias de um grupo de felinos, do temível Mac Anália (o “Napoleão do crime”) ao mágico Sr. Mistófelis, passando pelo idoso Deuteronômio e o teimoso Rin Tim Tan Tam. Em 1939, amigos do escritor o convenceram a publicar Os Gatos.

Reeditado pela Companhia das Letrinhas em edição bilíngue com tradução de Ivo Barroso e novas ilustrações feitas pelo alemão Axel Scheffler, Os Gatos (R$ 34/ 112 páginas) é um pequeno clássico da graça e da sutileza. Vou pedir à mami para comprar!

Ao todo, são 15 poemas que demonstram extrema sensibilidade para com a natureza felina. Os poemas do ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1948 acabaram inspirando um dos maiores sucessos da história da Broadway: o musical Cats.

GATOS E ESCRITORES

Com Os Gatos, T.S Eliot - o homem que reorganizou a poesia britânica com o livro Terra Devastada - entrou para sempre para a ilustre confrariados escritores apaixonados por bichanos. Uma irmandade numerosa e que inclui pesos-pesados das letras como Fernando Pessoa (“És feliz porque és assim. Todo o nada que és é teu”), Edgar Allan Poe, Ray Bradbury, Lord Byron, Anton Tchekov, Céline, Herman Hesse, Lewis Carrol, Charles Perrault (criador de O Gato de Botas), Raymond Chandler, Jean Cocteau, Júlio Cortázar, W.B. Yeats, Patricia Highsmith, Alberto Moravia, Balzac, Stephen King, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles e Jorge Amado.

Gatos são, certamente, os animais de estimação preferidos de escritores e poetas. O francês Victor Hugo escrevia carinhosamente a seus peludos em um diário. O argentino Jorge Luiz Borges deixou-se fotogravar muitas vezes com sua gata branca, que adorava dormir de barriga para cima. Mark Twain compartilhou sua infância com 19 gatos e durante toda a vida nunca deixou de ter, pelo menos, dois.

O genial Ernest Hemingway dizia que os gatos eram as únicas criaturas que mereciam ser mimadas incondicionalmente. O Prêmio Nobel de Literatura de 1954, Hemingway tinha tanta paixão por felinos que chegou a ter 50, os quais deixou protegidos em testamento ao morrer, em1961. Ele determinou que os animais deveriam ser mantidos com todo o conforto por meio dos rendimentos vindos de direitos autorais de sua obra. E a sua vontade foi feita. A casa em que o autor de O velho e o Mar (1952) residia em Key West, na Flórida, virou museu e tem como principal atração 57 bem cuidados gatos, descendentes dos primeiros bichanos do escritor.

10 comentários:

Curtiu?